A praia de Ponta Negra está localizada dentro da Reserva Ecológica da Juatinga (com 8000 Hectares) próximo à cidade de Paraty. Não é de hoje que conheceço esse pequeno vilarejo, com aproximadamente 35 famílias. Essa comunidade, de origem caiçara, está instalada na Ponta Negra já a alguns séculos. Os moradores da região sempre se mantiveram da pesca, sendo a agricultura/pecuária praticamente inexistentes.
Ponta Negra parece reproduzir numa escala micro os modelos de desenvolvimento da humanidade como um todo: Cada vez mais o lixo/poluição se torna um problema sem solução, os vícios (alcoolismo e drogas) se disceminam rapidamente entre os caiçaras, as rixas familiares, a formação de uma classe que concentra o poder político-econômico nas mãos, o crescimento populacional não planejado e o crescente empobrecimento das famílias são alguns dos sintomas desse processo.
De alguns anos para cá, a situação vem se agravando com a diminuição dos peixes disponíveis. Isso se deve, principalmente, a atividade ilegal de pesca com barcos de arrasto e parelha - em contraste à forma com que os caiçaras pescam, lançando os cercos ao mar, e/ou pescando com linha e anzol. A população segue crescendo e as dificuldades se tornam cada vez mais visíveis. A alternativa posta como sustentável é o turismo, mas fica evidente a disparidade que esta atividade implica, pois concentra-se nas mãos de alguns poucos que controlam a economia gerada pelos visitantes. Além disso, o impacto social do contato com o mundo urbano vem aumentando o nível de consumismo entre os moradores: todos querem celulares com câmeras fotográficas e bermudas da marca mais famosa.
Para agravar a situação, isso tudo se dá dentro de uma Reserva Ecológica, controlada pelo IBAMA e pelo IEF. Não existe um plano de manejo¹ determinado para o desenvolvimento da Reserva e as iniciativas de ONGs lá dentro são muito limitadas. As iniciativas que existem na Ponta Negra são atreladas aos interesses do Condomínio Laranjeiras que, por se tratar de um mega empreendimento imobiliário próximo à região, pode e deve ser questionado². A legislação vigente não reconhece o Caiçara como o dono da terra (que ele habita muito antes de qualquer legislação ambiental) e também não prevê o extrativismo (basicamente de madeira) que as atividades pesqueiras demandam.
Neste contexto brevemente apresentado acima, estive fotografando a vida cotidiana na comunidade e tentando de alguma forma registras as contradições ali presentes. Trata-se de uma comunidade muito fechada e foi difícil adentrar fotograficamente lá. Porém, a constante persistência me permitiu alguns resultados prévios de um futuro projeto à ser construído. Muitas idéias e algumas ações: alguém se interessa em participar?
No final do mês de Maio, conferimos o evento Circulando 6 que aconteceu mais uma vez no Complexo do Alemão. A iniciativa do Núcleo de Comunicação Crítica do Alemão tem como proposta trazer pra dentro da comunidade diversas expressões artísticas, além de educação, saúde e informações relevantes, que contribuam para formação de cidadãos críticos.
Uma das grandes atrações dessa edição foi a re-pintura da Galeria de Grafite a Céu Aberto, com grafiteiro convidados do Rio de Janeiro inteiro que estavam lá participando das atividades. Além, a Orquestra Voadora fez um showzasso pelas ruas do Alemão. A i|z esteve lá prestigiando e registrando as atividades que rolaram. Confira um pouco das nossas impressões no multimídia abaixo:
Sebastião Salgado dispensa comentários, mas o documentário acima, tirado do site Television de América Latina, esclareceu muitas das questões que estereotipavam o trabalho do fotógrafo. Vale muito a pena parar e prestar atenção nos depoimentos, que mostram o processo de produção de um foto-documentarismo autêntico.
João Roberto Ripper é um foto-documentarista que tem como propósito colocar a fotografia à serviço dos Direitos Humanos. Seu trabalho é permeado de questões sociais de primeira grandesa que são relegadas a um segundo plano dentro da grande mídia. Todas as suas fotografias são engajadas, de alguma forma as lutas das minorias, dos excluídos e oprimidos.
Semana passada, durante o FestFotoPOA 2009, tive o prazer de participar da oficina de fotografia com o Ripper, onde ele contou, com sua voz cadenciada, a forma de fotografar que vem desenvolvendo por décadas. Rompendo a barreira do mero fotógrafo “espectador da história” Ripper é atuante e tem como premissa política que todo o trabalho documental deve retornar, de alguma forma, as pessoas fotografas (isso vai desde lhes dar as fotos até anexa-las à CPIs e organizações que lutem pelos direitos humanos). O ponto alto dessa política foi a criação da Escola de Fotógrafos Populares, na Maré -RJ. Com uma carga atual de 4hs por dia durante 10 meses, os moradores de comunidades cariocas tem a chance de entrar em contato e desenvolver a linguagem da fotografia como uma forma de comunicação plausível e alternativa ao que é mostrado nos grandes meios midiáticos.
Foi um grande prazer conviver algumas horas com o Ripper e, certamente, muita coisa do nosso ponto de vista fotográfico será repensado daqui pra frente. Abaixo, uma foto do mestre pelas ruas de Porto Alegre, pelas lentes de Edu Lima.
Chegamos no Odeon ontem de noite, penultima noite do FestFotoPOA, para ouvir um jazz de excelente qualidade. Nas primeiras fotos que fiz do pessoal tocando, descobri o Felipe, um guri de 13 anos que mora nas ruas de Porto Alegre. Primeira estranheza que ele me causou foi o fato de estar atentamente concentrado nos musicos e nos acordes de Chet Baker que sopravam… Em segundos me surgiu a idéia de fotografá-lo, mas assim que apontei a camera, ele se esquivou. Começou-se a revelar aí o que daria o tom da noite: ele não queria ser o personagem, queria ser o produtor das imagens…
Num instante de loucura, larguei minha camera na mão dele. Depois vi que tinha agido certo, e que tinha q dar a liberdade dele fotografar o que quisesse por ali. Impressionou muito as capacidades que ele desenvolveu e, além de muito comunicativo e cativante, o moleque é inteligente e rápido pra aprender. Refletindo um pouco: é impressionante a capacidade que o Brasil tem de negar ã seres humanos fantásticos as oportunidades que são asseguradas pelos Direitos Humanos e pela Constituição.
Fui embora pra dormir confortavelmente numa cama e deixei pra trás o guri, que passaria a noite inteira acordado e, se rolasse, ia dormir de manhã, no fundo de algum banco de ônibus.
Aqui apresento algumas fotos que ele fez e que editamos, em cima da nossa arrogancia informática. Abstraia-se os conceitos de foco e tremido, até pq o guri se superou com uma 35mm fixa (manual) e a velocidade baixa (1/20s)…infelizmente não podemos passar aqui o link do Felipe.. porque nem nessa rede democaratica de informações o menino tem seu espaço… falta uma maquina digital e um computador pois o conhecimento necessario tenho certeza que Felipe não teria dificuldade de aprender; veja abaixo como as crianças aprendem fácil…
Diretamente de Porto Alegre, entre Colorados e Tricolores, começou ontem o FestFotoPOA, festival internacional de fotografia… Sob a temática “humanismo e realidade… fotografia e compromisso…”, começaram as oficinas, apresentações e atividades que vão durar até domingo que vem. Estamos participando do evento como admiradores e intusiastas da fotografia e a troca de idéias e informações com outros fotografos, do brasil inteiro, é a parte mais legal e importante disso tudo.
Aos poucos vamos postando as fotos que estamos fazendo aqui pela terra dos “8 ou 80″… E acompanhe a cobertura em tempo real feita pelo Coletivo Garapa… Além do flickr do Festival …
Um dos espaços mais consagrados no mundo da fotografia é o Fundo Infinito… Em um cômodo cria-se uma ilusão nas paredes através de uma estrutura em curva que esconde as quinas… A estrutura pode ser feita de cimento, madeira (nossa escolha) ou gesso… Depois de pintar de branco (ou qq outra cor), a estrutura fica invisível e pode-se usar a iluminação e criatividade para deixar o fundo em degradê, estourado, subexposto, etc…
Nessas duas últimas semanas, a i | z se empenhou em preparar o fundo infinito do nosso novo espaço, onda vamos poder fotografar pessoas e produtos. Abaixo fotos de todo o processo de construção:
Ainda deu pra fazer umas fotos mais doideiras com a quantidade de poeira de massa corrida que geramos:
Gostamos do resultado final! somos o primeiro estúdio (que eu conheça) que tem uma janela no infinito!!! Certamente vai render muito boas fotos.
Então, quem quiser se candidatar pra vir aqui fazer umas fotos, fique à vontade. E pode ter certeza que todo mundo que aparecer por aqui vai ter que passar pelo fundo infinito! As primeiras convidadas já vieram…
Em breve mais fotos da Alice Raton e da Lazuli Galvão, ainda em processo de edição!