Resultado Final da oficina de fotojornalismo Multimídia, oferecida pelos Garapa no FestFotoPoa 2009, a i | z participou, e agradece a garapada pelas aulas!!!
Entre o fuzil e a câmera ficamos somente nós e a imagem que faz a mediação do evento
Foi publicada mais uma edição da Revista Studium . Fonte de ótimos trabalhos relacionados à imagem, esta edição (No. 28) trás um texto de Fernando de Tacca onde discute a imagem acima e toda as questões que sucitou o episódio, ocorrido em 2007. O texto Entre a arma e a câmera – reflexões sobre uma imagem-ato explica de modo exemplar como que a fotografia une (de forma irremediável) o ato, fonte de registro, e a imagem produzida. Transcrevo aqui um pedaço do que li lá:
“Em quem Serra mira? Uma pergunta que fica implícita. Nos fotógrafos, poderíamos entender como a primeira realidade, como diz Kossoy, mas quando a imagem sai do campo situacional e entra em circulação pelos meios de comunicação de massa, somos nós a quem o fuzil aponta, nós leitores e cidadãos! (…) Seria ele ingênuo para apontar uma arma direto para os fotógrafos, que também o miravam com suas câmeras? Arma contra arma, uma talvez estivesse descarregada, a outra tinha muitos projéteis imagéticos digitais. As lógicas da arma e da câmera são muito similares, uma gestualidade técnica contaminada pelo olhar oportuno em busca da caça dos dois lados do olhar.” (grifo meu)
No final do mês de Maio, conferimos o evento Circulando 6 que aconteceu mais uma vez no Complexo do Alemão. A iniciativa do Núcleo de Comunicação Crítica do Alemão tem como proposta trazer pra dentro da comunidade diversas expressões artísticas, além de educação, saúde e informações relevantes, que contribuam para formação de cidadãos críticos.
Uma das grandes atrações dessa edição foi a re-pintura da Galeria de Grafite a Céu Aberto, com grafiteiro convidados do Rio de Janeiro inteiro que estavam lá participando das atividades. Além, a Orquestra Voadora fez um showzasso pelas ruas do Alemão. A i|z esteve lá prestigiando e registrando as atividades que rolaram. Confira um pouco das nossas impressões no multimídia abaixo:
Yann Arthus-Bertrand é um fotógrafo engajado em questões muito importante pra nossa sociedade contemporânea. A partir do seu trabalho de maior relevância (patrocinado pela UNESCO) intitulado A terra vista do Céu, desenvolveram-se produtos que trazem a tona questões sobre desenvolvimento e caminhos que a humanidade escolheu para trilhar e chegar aonde está.
HOME PROJECT é o nome do filme abaixo (totalmente disponível em um Canal do Youtube). Poderia ser exaltado pela belíssima fotografia e tomadas de câmera aéreas, mas vai além através da narrativa em off, que nos mostra como o ser-humano (um animal ridículamente recente na existência da Terra) está conseguindo desequilibrar o eco-sistema como um todo. Isso se deve, principalmente, a escolhas feitas pela humanidade que vêm não datam de mais do que um século. O petróleo, o Agro-negócio (básicamente voltado para alimentação de bovinos) e desenvolvimento urbano são algumas dessas escolhas que parecem não ter saída e nem fim. Mas, a partir da análise dos dados apresentados no filme, fica claro que um “fim” está próximo e que devemos intervir urgentemente nos caminhos que seguimos.
Devemos rever nossos padrões de consumo. Devemos repensar nossa postura perante outros seres vivos (desde a menor formiga até a maior árvore). Devemos nos esforçar politicamente para que as coisas mudem, para que a riqueza produzida seja distribuída pelos braços que à produzem, repensando o papel das máquinas (incluindo CPUs, tratores, aviões, etc…) que se tornaram “essenciais”. Enfim, devemos todos VER esse filme e pensar sobre os próximos passos:
Essa é a versão em espanhol, mas tem a versão em inglês também. Abaixo Vão os links:
Sebastião Salgado dispensa comentários, mas o documentário acima, tirado do site Television de América Latina, esclareceu muitas das questões que estereotipavam o trabalho do fotógrafo. Vale muito a pena parar e prestar atenção nos depoimentos, que mostram o processo de produção de um foto-documentarismo autêntico.
Quando o assunto é pós-produção da fotografia, Cada um fala uma coisa: uns sobre ética e moral, outros sobre estetica e re-escolha ou estrapola-se o argumento e pensa-se em um surrealismo fotográfico. Mas o que não podemos perder de foco é que desde a invenção da fotografia já era possível a manipulação das chapas.
A manipulação é visível em diferentes momentos da fotografia. Afinal, a opção por determinado enquadramento já é por si uma forma de “manipular” o que está sendo apresentado. Fora todas as outras nuances técnicas que, no momento do clic, definem um ponto de vista determinado, específico. Cada qual vê e registra com toda uma carga social e emocional, vividas e re-vividas até o momento do clic. Seriam esse fatores de “manipulação” a priori na imagem?
The plates of the present work are impressed by the agency of Light alone, without any aid whatever from the artist’s pencil. They are the sun-pictures themselves, and not, as some persons have imagined, engravings in imitation.
Pois bem, além desses elementos a priori, as sociedades que se utilizam da fotografia para produzir uma auto-imagem começaram a desenvolver um argumento que extrapola a relação mimética da fotografia com a realidade. Começam a entrar, nesse momento, fatores técnicos que permitem uma reelaboração das fotos. Os Darkrooms foram, no século XX o que o Photoshop e outros softwares de edição se tornaram no século XXI.A diferença é que hoje em dia essas ferramentas vieram à tona para maior numero de pessoas e, com isso, o questionamento da “realidade” intrínsica nas fotos. Para o grande público, comecou a ficar fácil identificar o que é uma foto crua e uma bem editada.
Richard Avedon - evidence
Anotações na ampliação para o laboratorista guiar-se na ampliação.
Chegamos a fácil conclusão de que as imagens são representações criadas por alguém e recebidas por outro alguém. Só que a fotografia passou por momentos onde o produtor da imagem não detia a pós-produção das imagens, pois existia a figura do laboratorista. Hoje em dia também podemos dividir os momentos da fotografia entre o da produção e da pós-produção, mas que muitas vezes se concentram na mão do fotógrafo que deve dominar tecnicamente as duas áreas.
circa 1860: This nearly iconic portrait of U.S. President Abraham Lincoln is a composite of Lincoln’s head and the Southern politician John Calhoun’s body. Putting the date of this image into context, note that the first permanent photographic image was created in 1826 and the Eastman Dry Plate Company (later to become Eastman Kodak) was created in 1881.
1936: In this doctored photograph, Mao Tse-tung (first from the right) had Po Ku (first from the left) removed from the original photograph, after Po Ku fell out of favor with Mao.
1942: In order to create a more heroic portrait of himself, Benito Mussolini had the horse handler removed from the original photograph.
A i | z acredita que é através do processo de pós-produção digital, nos softwares de tratamento, que a imagem adquire o sentido que “passa pela nossas cabeças pensantes na hora em que clicamos”. Antes do clic, já temos em mente como sera a edição daquela imagem. Sabemos até onde podemos ir sem “danificar” a imagem. A edição nada mais é do que impor sobre a imagem um ponto de vista a posteriori. É nessa perspectiva que trabalhamos e oferecemos o serviço de edição de imagem. Pretendemos ser os novos laboratorias: para que fotografos, designers ou qualquer outra pessoa que trabalhe com imagem possa obter da foto (imprefeita no momento do clic) o que esperava.
Desde o final de 2008, quando foi lançado na internet o novo álbum denominado Polisenso, fomos convidados para fazer a cobertura de toda a agenda de show da banda Forfun. Considerados alguns anos atrás como mais uma banda pop-rock surgida no ambito da disceminação do gênero pelos meios de comunicação de massa, o último CD da banda (que já atingiu a marca de 400.000 download no site oficial) mostra grande evolução musical e, consequentemente, comportamental.
Nesse contexto, a idéia de registrar de cabo à rabo as passagens da banda pelas cidades do Brasil é coerente com a proposta do Forfun que é utilizar a internet como maior veículo de divulgação e promoção! Criaram assim, um flickr a cada show atualizam-se as fotos e a galera pode comentar livremente. Além disso, as fotos são disponibilizadas em Creative Common, sob essa licença . Quem curte a banda e quiser usar as fotos pra estampar de wallpaper, pra fazer pequenas impressões ou pra continuar a divulgar o trabalho, é só baixar a foto preferida e ficar a vontade…
O mais legal dessa história toda é que estando na estrada com toda a equipe, começo a entender que o trabalho de uma banda é muito maior do que a participação dos músicos. São 17 cabeças quando a equipe está completa… cada um com uma história e uma função diferente… isso já nos deu boas idéias de material documental, e daqui pra frente traremos novidades!
João Roberto Ripper é um foto-documentarista que tem como propósito colocar a fotografia à serviço dos Direitos Humanos. Seu trabalho é permeado de questões sociais de primeira grandesa que são relegadas a um segundo plano dentro da grande mídia. Todas as suas fotografias são engajadas, de alguma forma as lutas das minorias, dos excluídos e oprimidos.
Semana passada, durante o FestFotoPOA 2009, tive o prazer de participar da oficina de fotografia com o Ripper, onde ele contou, com sua voz cadenciada, a forma de fotografar que vem desenvolvendo por décadas. Rompendo a barreira do mero fotógrafo “espectador da história” Ripper é atuante e tem como premissa política que todo o trabalho documental deve retornar, de alguma forma, as pessoas fotografas (isso vai desde lhes dar as fotos até anexa-las à CPIs e organizações que lutem pelos direitos humanos). O ponto alto dessa política foi a criação da Escola de Fotógrafos Populares, na Maré -RJ. Com uma carga atual de 4hs por dia durante 10 meses, os moradores de comunidades cariocas tem a chance de entrar em contato e desenvolver a linguagem da fotografia como uma forma de comunicação plausível e alternativa ao que é mostrado nos grandes meios midiáticos.
Foi um grande prazer conviver algumas horas com o Ripper e, certamente, muita coisa do nosso ponto de vista fotográfico será repensado daqui pra frente. Abaixo, uma foto do mestre pelas ruas de Porto Alegre, pelas lentes de Edu Lima.
Chegamos no Odeon ontem de noite, penultima noite do FestFotoPOA, para ouvir um jazz de excelente qualidade. Nas primeiras fotos que fiz do pessoal tocando, descobri o Felipe, um guri de 13 anos que mora nas ruas de Porto Alegre. Primeira estranheza que ele me causou foi o fato de estar atentamente concentrado nos musicos e nos acordes de Chet Baker que sopravam… Em segundos me surgiu a idéia de fotografá-lo, mas assim que apontei a camera, ele se esquivou. Começou-se a revelar aí o que daria o tom da noite: ele não queria ser o personagem, queria ser o produtor das imagens…
Num instante de loucura, larguei minha camera na mão dele. Depois vi que tinha agido certo, e que tinha q dar a liberdade dele fotografar o que quisesse por ali. Impressionou muito as capacidades que ele desenvolveu e, além de muito comunicativo e cativante, o moleque é inteligente e rápido pra aprender. Refletindo um pouco: é impressionante a capacidade que o Brasil tem de negar ã seres humanos fantásticos as oportunidades que são asseguradas pelos Direitos Humanos e pela Constituição.
Fui embora pra dormir confortavelmente numa cama e deixei pra trás o guri, que passaria a noite inteira acordado e, se rolasse, ia dormir de manhã, no fundo de algum banco de ônibus.
Aqui apresento algumas fotos que ele fez e que editamos, em cima da nossa arrogancia informática. Abstraia-se os conceitos de foco e tremido, até pq o guri se superou com uma 35mm fixa (manual) e a velocidade baixa (1/20s)…infelizmente não podemos passar aqui o link do Felipe.. porque nem nessa rede democaratica de informações o menino tem seu espaço… falta uma maquina digital e um computador pois o conhecimento necessario tenho certeza que Felipe não teria dificuldade de aprender; veja abaixo como as crianças aprendem fácil…